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"Contadores às Voltas com a Convergência"
Sonho ou Pesadelo?
Meu caro contador, você acaba de ter uma noite
mal dormida, está com olheiras, sua esposa demonstrou certa acessibilidade , e você nada,
pois estava preocupado com o fechamento do
balanço .Não é?
Teve pesadelos com a Lei 11.638/07( ah porque não foi editada 3 dias depois?), depois sofreu ataque de ansiedade, com suores intensos e palpi
tações , com a Deliberação CVM 550, chegou a
gritar ,acordando todo mundo em casa, ao se
lembrar da MP 449 , que, em seu pesadelo,
aparecia como um predador.....
Bem, finalmente acordou e, agora, está na hora de
ir à empresa ( não esqueça de tomar um café bem
forte para não dormir) e, de fato, enfrentar os
problemas !
Aí você pensa, tá bom, tenho que resolver, estou
com dúvidas , mas acho que dá; o problema é
o Demétrio, aquele auditor chato, que vive ques
tionando tudo que imagino fazer. Ah, então vou
pedir a mediação da CVM e do CPC; Prezados
Senhores da CVM e do CPC, estamos em divergência sobre a divulgação daquele "hedge"
, vocês poderiam nos ajudar? Total silêncio do
outro lado da linha ou nenhuma reposta, caso a
questão tenha sido apresentada formalmente.
Tá bom, agora achei a saída: o negócio é contratar o famoso pareceirista contábil Tíbúrcio
de Almeida Gay, com certeza ele terá a solução.
De fato, ele teria , mas , ao apresentar o valor dos
honorários ao seu diretor financeiro, ele teve um acidente vascular cerebral,
tendo que ser socorrido à pressas.
A grande desvantagem de tudo isso é que você contador continúa com o problema e a dúvida.
Existe solução para tudo isso?
Bem, antes de mais nada, esquecendo um pouco
o problema real, atual, nós contadores ,tendo em
vista a tal de convergência às normas internacionais,
temos que passar por um período de reeducação
total, eventualmente uma internação em nosocómio,
a fim de podermos enfrentar a situação.
Em primeiro lugar, sempre fomos educados e treinados para cumprir leis, normas e decretos.
Puxa vida, como a gente era bom nisso! Agora,
vem um tal de Iudícibus e nos diz que temos que
utilizar o "julgamento responsável" , na "nova" contabilidade( afinal, quantos tipos de contabilidade
existem-bem, essa é outra história que contaremos
em outra oportunidade).
Veja ,esses caras modernos!; sempre contabilizei
o "leasing" como despesa. Agora vem essa turma
de alienígenas e diz que tenho que respeitar a
tal da "essência sobre a forma" e, portanto, em
certos tipos de leasing, devo contabilizar como ativo
e também no exigível....
É que nós latinos sempre privilegiamos a forma
(direito) muito mais do que a essência( economia).
Agora até que melhorou um pouco, mas, nos cursos
mais antigos de bacharelado em contabilidade, di
reito era predominante entre as matérias afins.
Tudo isso mudou, agora, com a globalização e
a internacionalização da contabilidade. A essência
econômica da transação prevalece sobre a forma contratual. Se esta última é um artificialismo que
esconde a essência da operação, deveremos, ao
contabilizar, sempre preferir o fato econômico e não
o jurídico...É claro, já arrumamos encrenca com
o advogado da empresa o Virgulino...Agora temos
dois desafetos: o Demétrio e o Virgulino....
Continua....
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